Fui fisgado pela atração! Encontrei ali um terreno muito rico para estudos e análises. Afinal, como alguém que trabalha com autoconhecimento numa metodologia chamada O Jogo da Vida poderia não se interessar? Independente dos interesses que estão por trás do programa, etc. é um terreno fértil.


Meu objetivo ao escrever aqui é fazer um comparativo e uma análise psicológica do que se passa no programa e sua relação com a vida real. Ali vemos pessoas com personalidades, desejos, medos, frustrações e estruturas psicológicas presentes em toda a sociedade. Acontece que nesse tabuleiro chamado Big Brother o jogador que chegar a casa final recebe o prêmio de R$ 1.500.000,00. Vence aquele que cair na graça dos telespectadores. Aqui chegamos no ponto central, para vencer o jogador deve ser aceito e amado pela sociedade. Neste caso a persona é então exponencialmente potencializada. As máscaras vem para o campo, já que o papel da máscara é esse. Agradar e pertencer.


A dinâmica do jogo está o tempo todo a serviço de provocar os participantes em suas relações, como o “jogo da discórdia” por exemplo, onde os participantes são obrigados e dar adjetivos negativos aos demais “brothers”. Precisam votar e eliminar outro participante semanalmente. Disputam prêmios, etc.


O caldeirão da necessidade de pertencer e agradar só esquenta. Julgar e ser julgado é o tridente do tirano interior. Fica evidente que o jogo que jogam lá dentro é diferente do jogo que vemos pelas câmeras.


Dentre todas as característica presentes nesse jogo, onde podemos fazer um a paralelo em relação ao “jogo da vida real”?


Toda criança nasce com o desejo de ser amada e de pertencer. Em algum momento esse desejo não é atendido. A criança acredita que tem algo de errado com ela. Ela idealiza inconscientemente que se ela for perfeita, dentro daquilo que ela imagina que os pais esperam dela, ela finalmente será amada e essa dor sanada. Cada um projeta para si esse “eu idealizado”. A partir de então toda vontade é direcionada para a realização desse eu. A espontaneidade ser perde e estruturas mais rígidas e performáticas vão tomando conta e formando a personalidade.


Não concorremos ao prêmio de R$ 1.500.000,00, mas a obstinação para alcançar esse lugar de pertencimento é a cobiça maior que conduz o ego. No nível mais profundo o que buscamos é ser amados. O que muda é o caminho que idealizamos para chegar nesse lugar. Alguns acreditam que precisam ter sucesso profissional e dinheiro, outros acreditam que irão se satisfazer numa relação amorosa e assim por diante. Mas o que realmente preenche é reencontro da nossa espontaneidade, capacidade de doação e gratidão. O programa simula isso muito bem.


Não ha estratégia que faça o jogador ganhar o BBB. Se observar na essência os vencedores são aqueles que se aproximam mais de ser eles mesmos, ainda que também errem. Isso pode ser observado melhor hoje em dia. As máscaras não colam tanto como antigamente. Os novos astros, a exemplo de muitos youtubers, revelam seu brilho não através de estratégias e formas eloquentes de se comunicar e sim pela naturalidade e pela espontaneidade.


Ou seja, o jogo principal, não acontece durante o programa. Vem da natureza e do caminho de transformação pessoal de cada participante durante a vida. O programa vai apenas revelar o que foi construído durante tantos. Em 3 meses de programa não se modifica muito do que foi construído durante toda a vida.


O verdadeiro jogo é interior. É a coragem sentir, de encarar nossas feridas, observar nossas estruturas internas. Quem deve ir para o paredão? O falso eu, a mentira, a avareza, o orgulho. Só vai voltar do paredão da consciência, o verdadeiro eu.


O Antagonista principal desse jogo é o Tirano interior, o julgamento, a culpa, a autoexigência. Esses são os principais adversários. As estruturas que impedem a manifestação da nossa natureza, da nossa singularidade.


Já que podemos observar de fora. Observemos a agonia dos participantes, o quanto sem perdem em resolver problemas sem necessidade? O quanto a ferida de exclusão é constantemente provocada? O quanto os participantes estão crentes que estão compreendo o movimento e na verdade estão bem perdidos? É diferente do que acontece aqui?


Observar o BBB com foco na estrutura emocional dos participantes tem me vindo muito sentimento de compaixão. Observe os participantes que mais te incomodam e ali você encontrará uma chave. Afinal, a regra é que se te incomoda muito é por que tem daquilo em você também. O peso do julgamento que impomos ao outro é o mesmo peso do autojulgamento que carregamos.


Se compreendo a dor do outro, posso ter um olhar mais suave em relação a estrutura que protege esse ferida. A maldade é apenas uma defesa e ampliar esse olhar abre caminhos para aceitação da maldade do outro. Começando pelo reconhecimento da nossa própria maldade, dos nosso defeitos. Todos tem!


O bom jogo consiste em ser o que fato se é na essência. O caminho do autoconhecimento vai nessa direção e esse é o verdadeiro jogo da vida.


Poderia escrever por horas a respeito. Mas encerro aqui com uma pergunta. O que é vencer O jogo da Vida para você?

Nickson Gabriel

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"A mais bela coisa que podemos vivenciar é o mistério. Ele é fonte de qualquer arte verdadeira e qualquer ciência."

 

Albert Einstein⁣

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